Wednesday, January 19, 2005

Sutra do Girassol (adivinhem?)

Caminhei nas margens do abandonado cais de lata onde outrora descarregavam banana e fui sentar na sombra enorme de uma locomotiva lá perto para olhar e chorar o sol morrendo em ladeiras sobre as casas todas iguais.

Jack amigo Kerouac sentou-se ao lado no ferro de um mastro roto partido e a gente caiu na maior fossa do mundo, os dois ilhados, dois contidos na rede das raízes de aço, e eu e Jack pensando os mesmos pensamentos da alma.

No rio a correnteza de óleo refletia o céu rubro, o sol caía pelas alturas finais de San Francisco, sem que houvesse peixe nessas águas, sem que houvesse um ermitão nas montanhas, só a gente com olhos de ressaca e remela, feito vagabundos, cheios de astúcia e cansaço. Olha só um girassol, Jack então disse, e havia o vulto inerte e cinzento seco, do tamanho de um homem, recostado num monte milenar de serragem. -

Eu pulei de alegria e era o primeiro girassol de minha vida, eram memórias de Blake - essas visões - o Harlem e os rios do inferno-leste, sanduíches indigestos trotando um ranger de pontes, carrinhos de bebê encalhados, esquecidos pneus de bojo negro careca, penicos & camisas-de-vênus, o poema da margem, canivetes, nada inox, só o mofo o lixo de tantas coisas cortantes cujo fio passava para o passado - e o cinzento girassol se equilibrando ao sol-posto, desmanchando-se abatido na invasão da fuligem, da fumaça, do pó de velhas locomotivas no olho - corola e também coroa com as pontas amassadas virando, com sementes despencando do rosto, rompendo em breves dentes um dia claro, raios de sol grudando em seu cabelo riscado como uma exangue teia de aranha de arame; caule com braços-folhas jogados, os gestos da raiz de serragem, pedaços de reboco minando nos galinhos queimados e uma mosca estagnada no ouvido, você de fato era uma incrível coisa imprestável, ó meu girassol minha alma, e como eu te amei então! sujeira não era parte do homem, era a parte da morte e das locomotivas humanas,simples roupa empoeirada, o simples véu da pele férrea, a cara da fumaça, as pálpebras da escura miséria, a mão ou falo ou tumor mortiço do imundo motor moderno industrificial disso tudo, o bafo da civilização poluindo tua coroa muito louca de ouro - esses turvos pensamentos de morte, a grande falta de amor em fins e olhos tapados, raízes abafadas em areia e serragem, os dólares raspantes elásticos, o couro das máquinas, as tripas enroscadas de um carente carro que tosse, as solitárias latas baratas com línguas rotas de fora, e o que mais seja, a cinza que escorre pela boca na ereção de um charuto, a boceta de um carrinho de mão, ou os seios acesos de viaturas lácteas, o rabo gasto que as cadeiras expelem, o esfíncter dos dínamos - tudo isso embolado nas raízes-múmias - e você aí de pé na minha na tarde da minha frente, a sua glória em sua forma! beleza perfeita, um girassol! uma tranqüila e girassol existência excelente e perfeita! um olho doce natural para a melancolia da lua nova, desperto vivo excitado sacando no crepúsculo sombra a brisa mensual de ouro aurora! enquanto você lançava blasfêmias para o céu da via férrea e sua própria floralma, quantas moscas zumbiram na sua extrema imundície sem ligar para nada?

Quando, flormortapobre, você esqueceu que é uma flor? quando olhou sua pele e decidiu que era a velha suja locomotiva impotente? o fantasma de uma locomotiva? o espectro e sombra de uma já poderosa locomotiva americana maluca? não, girassol, você não foi locomotiva nunca, você foi sempre um girassol! você, locomotiva, você é o motivo louco de sempre, a locomotiva! pensando isso peguei o grosso girassol esqueleto e o finquei a meu lado como um cetro fiz o meu sermão à minha alma, e também à de Jack, e tambérn à de todos que ainda queiram ouvir: Não somos a sujeira da pele, não somos nossa locomotiva medonha triste poeirenta com ausência de imagem, nós somos todos uns lindos girassóis por dentro, somos sagrados por nossas próprias sementes & peludos pelados dourados corpos de ação virando girassóis ao crepúsculo loucos girassóis formais e negros que esses olhos espiam na sombra da locomotiva maluca margem beira San ladeiras Francisco tarde de lata sol-posto sentar-se vision.

Primeiro de Agosto

O limiar de nossa existência é maior do que podemos imaginar.

Dentro de nossas vidas, preocupamo-nos com tudo que pode ser visto, contemplado, ouvido, sentido, falado. Nos limitamos às coisas imediatas, ao que é mostrado aos nossos olhos.

Todavia, o nosso limite pode ser testado para além de nossa compreensão.

Como numa noite atípica em todos os sentidos, em que alguém me disse sobre a dimensão que um simples gesto pode dar ao significado real de uma sensação.

Se abraçarmos a nós mesmos, esfregando as mãos nos braços paulatinamente, nosso corpo dirá que sentimos frio. Uma simples observação, mas dadas as nuances dessa pessoa e seu universo de pensamentos intrigantes, perdi-me a pensar.

E quando as palavras já não dão mais azo às manifestações da alma e os gestos são inexatos para a expressão imediata?

Devemo-nos calar, pois num momento desses, o silêncio é providencial e sábio.

Suas sutilezas transcendem nossa compreensão, nosso mundo pequeno de certezas fáceis.

Da mesma forma que a arte das palavras não ditas é complexa, ela é sumamente simples.

Como entender o consentimento calado após um beijo?

Os segundos intermináveis em que os olhos, ainda fechados, resvalam inertes num silêncio tão profundo que nem os pensamentos respondem, só existe a contemplação dos corpos, das bocas que se deixaram, da pele tangível. Isso não deve ser interpretado, estudado como se uma ciência exata fosse, deve apenas sentido.

O silêncio é o primeiro mundo dos pensamentos em si.

É a calada voz do perpétuo mutismo divino.

É a gênese da criação.

É a essência das coisas indizíveis incompletas.

É a angústia da poesia atroz sentida.

Só através do silêncio pode-se entender a beleza visual e pungente da chuva entrando pela janela enquanto tem-se um outro corpo envolto nos braços.

A pele se arrepia, os olhos tornam-se indóceis, a respiração parece se perder, o coração palpita mais forte.

O êxtase parece revelar em um segundo todas as emoções que podem ser sentidas, mas nada foi dito.

Nada, nem uma única palavra.

Só se ouve a chuva que entra pecaminosa pela janela, o vento frio batendo nas janelas, não servindo para diminuir o calor que o quarto emana e as respirações, máculas e fortes.

Entendemos erroneamente quando vemos alguém se calar, não imaginando que, dentro daquela abstração, existe uma torrente de pensamentos que não devem ser divididos, nem ao menos serem proferidos em voz alta.

E nos dias que não se descartam e nem se somam, onde ardem as paixões erguidas e tudo mais parece não fazer sentido, o silêncio implacável tornar-se-á perene e dará voz à nossa razão.

Agora, silencia-te e sinta.

Monday, December 27, 2004

… E que venha 2005!!!

Àquelas pessoas que, mesmo de passagem, acompanharam esta página que um dia foi um blog, resolvi escrever com dignidade antes do ano que vem.

Sem listas de agradecimentos facínoras (listas estão fadadas ao esquecimento, como sabem), eu vou atualizar quem quer que ainda tenha coragem de entrar aqui.

Para começar, eu tenho mudado muito minha relação com a espiritualidade, especialmente a minha crença em certos dogmas, como o Natal.

Antes que comecem a me rechaçar, eu explico: eu acredito no nascimento “do” Cristo (do grego “um”, “escolhido”), mas não na data comercial que dizem que Ele nasceu, muito menos no ano que dizem ser zero (isso por conta de uma revisão lusitana de calendários da época, Jesus nasceu por volta de seis anos antes do que Lhe é atribuído o nascimento). Logo, para mim, o Natal passou a ser uma data comercial, onde trocamos presentes e recebemos mensagens absurdamente afeminadas de amigos ditos “machos”. É uma tristeza só.

Talvez por influência de um amigo, eu acho que devo analisar a religião de uma maneira mais empírica, pois é muito fácil ficar com a boca cheia de dentes e um monte de dogmas no colo, difícil é questionar a origem e veracidade desses dogmas que vieram de nossos antepassados.

Por conta da afirmação do parágrafo anterior, eu tenho estudado solitariamente os textos conhecidos como apócrifos.

Antes de continuar, uma inserção histórica: Por volta do ano 335 d.C., Constantino, que foi o primeiro imperador romano cristão, escolheu quais seriam os textos que integrariam o Novo Testamento. É de se imaginar que uma figura da imensidão de Jesus tenha gerado inúmeros registros literários a seu respeito. Tendo todos os textos nas mãos, Constantino se achou no direito de discernir o que era canônico (de inspiração divina) do que era apócrifo (gnóstico), ou seja, de origem duvidosa. No resumo da história, os textos apócrifos foram banidos e taxados como hereges.

Pois bem, os textos ficaram à margem do conhecimento da humanidade até meados da metade do século passado, quando foram encontrados por pesquisadores.

Os evangelhos referidos são de Bartolomeu, de Pedro, de Felipe, de Tomé e de Maria Madalena.

À medida que lemos os textos, podemos imaginar o porquê de terem sido banidos pelo bom imperador. São textos que nos trazem um Jesus muito mais humano, um homem como todos, com defeitos e às vezes (pasmem) arrogância (Ele era o filho do Homem, você também seria metido). Jesus se aproxima de Buda (outra figura que tem despertado muito interesse deste digitador) ao dizer que o verdadeiro conhecimento é o conhecimento de si próprio, traduzindo, devemos nos conhecer para conhecer o mundo.

Outro aspecto interessante é o resgate da vida do menino Jesus, ocultado dos livros que integram o Novo Testamento. Mas segundo o evangelho de Tomé, Ele não era tão bonzinho como gostamos de imaginar.

Dois fatos que chamam muita atenção se passam quando Jesus tinha apenas cinco aninhos de idade e já demonstrava poderes que mais tarde mudariam o mundo. Os trechos são transcritos integralmente:

“III
Encontrava-se ali presente o filho de Anás, o escriba, e teve a idéia de fazer escoar as águas represadas por Jesus, usando uma planta de vime.
Ante essa atitude, Jesus indignou-se e disse:
- Malvado, ímpio e insensato. Será que as poças e as águas te estorvavam? Ficarás agora seco como uma árvore, sem que possas dar folhas, nem raiz nem frutos.
Imediatamente o rapaz tornou-se completamente seco. Os pais pegaram o infeliz, chorando a sua tenra idade, e o levaram ante José, maldizendo-o por ter um filho que fazia tais coisas.

IV
De outra feita, Ele andava em meio ao povo e um rapaz que vinha correndo esbarrou em suas costas. Irritado, Jesus disse-lhe:
- Não prosseguirás teu caminho.
Imediatamente o rapaz caiu morto.
Algumas pessoas que viram o que se passara, disseram:
- De onde terá vindo esse rapaz, pois todas as suas palavras tornam-se fatos consumados?
Os pais do defunto, chegando a José, interpelaram-no, dizendo:
- Com um filho como esse, de duas uma: ou não podes viver com o povo ou tens de acostumá-lo a abençoar e não a amaldiçoar, pois causa a morte aos nossos filhos.”

Jesulito. Ele não sabia brincar.

Ao invés de me espantar com as passagens e correr para o pedó... ops, padre mais próximo para me confessar, eu resolvi interpretar o que estava me incomodando. Realmente, é desagradável imaginar que um simples esbarrão no Jesus menino poderia matar, mas talvez seja o caso de analisar essa passagem como a de um menino como os outros, muito imaturo, e que não sabe lidar com o que tem à sua disposição. Um poder sem limites exige uma responsabilidade sem limites (isso eu aprendi com o Super-homem).

Justiça seja feita, com o passar dos anos o menino vai se tornando mais dócil e parecido com o que estamos acostumados a imaginar, como é retratado ainda no evangelho de Tomé:

“(...)Aconteceu depois, nas vizinhanças de José, que um menino que vivia doente veio a falecer. Sua mãe chorava inconsolavelmente. Jesus, ao tomar conhecimento da dor daquela mãe e do tumulto que se formava, acudiu rapidamente. Encontrando o menino já morto, tocou-lhe o peito e disse:
- Pequenino, falo contigo! Não morras, mas vive feliz e fica com tua mãe!
No mesmo instante, o menino abriu os olhos e sorriu. Então disse Jesus à mulher:
- Anda, pega-o, dá-lhe leite e lembra-te de mim!
Ao presenciar o acontecido, os circunstantes encheram-se de admiração e exclamaram:
- Na verdade, este menino ou é um Deus ou um anjo de Deus, pois tudo o que sai da sua boca torna-se um fato consumado.
Jesus saiu dali e pôs-se a brincar com os outros jovens.”

O livro de Bartolomeu narra uma passagem absolutamente apreciativa, que é a afronta do Nazareno com o guardião do tártaro, Belial. Num embate, Bartolomeu, protegido por Jesus, questiona o Satanás sobre seus atos contra os homens desde que fora expulso do paraíso.

O “Evangelho da Infância”, escrito por Pedro, mostra, de modo sensível e belo, o que foi a infância de Jesus, que desde a mais tenra idade já manifestava sua santidade. É um texto que encanta pela sua beleza, pela singeleza e pelas situações que retratam, onde o Cristo surge como a criança que foi, muito embora sua divindade o levasse a gestos “inusitados”, mas marcados pela sabedoria precoce e pela coerência de seus atos.

Já o evangelho de Felipe inova a estrutura dos textos canônicos, por fazer uma narração não linear, segue a linha da tradição oral de relatar, independente do contexto histórico, ensinamentos atribuídos a Jesus e interpretações de aforismos e práticas espirituais, presente em outros textos apócrifos, como o Evangelho de Tomé e o assim chamado Evangelho "Q" (inicial de Quelle, alemão para 'Fonte', que é tido como a fonte da logia do Senhor apresentada nos evangelhos segundo Mateus e Lucas).

Finalmente, o evangelho mais curto, de Maria Madalena, é um dos mais misteriosos e polêmicos, por fazer revelações sinistras como "Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas, elas dependem umas das outras, e se separarão novamente em sua própria origem. Pois a essência da matéria somente se separará de novo em sua própria essência. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça";
e derrubar o maior dogma imposto desde que Adão tomava Fanta Uva na falta da Eva: Jesus disse: "Não há pecado; sois vós que os criais, quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é chamado 'pecado'. Por isso Deus Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua origem."

Encerrando as divagações religiosas, ninguém pode provar se esses textos não condizem com a vida do Rei ou se são narrações fiéis de Sua vida. Nem mesmo se Jesus era o filho de Deus ou um maluco que se achava o messias.

A chave de tudo isso, mesmo com todo racionalismo envolvido, está em uma palavra simples: .

Mas, independente da verdade, não podemos passar nossa existência limitados a tudo que nossos pais contam sobre Ele. Se pararmos de pensar, deixamos de evoluir.

Feliz 2005, que as mães de nossos filhos sejam lindas e que os pais dos pirralhos sejam ricos.

Alisson

Thursday, August 26, 2004

Visconde de Sylvanie

“Eis um nobre coração que se parte.
Boa noite, amável príncipe, e que falanges
De anjos acalentem, cantando, o teu sono”

Shakespeare, Hamlet

Por quê, meu Deus, meus amigos demonstram tanto espanto diante de minha condição?
Juro que não sei.
Talvez seja porque um dia, um deles tenha pensado que ouvira palavras como “quem tem mina é garimpeiro” ou “amigo de mulher é cabeleleiro” proferidas de minha boca.
Ou provavelmente tenha sido meu empenho em constranger meus amigos que lutaram contra os prazeres do coração durante toda vida e um dia apareceram em minha casa com uma aliança suspeita no dedo.
Enfim se aproxima o desenlace.
Ai de mim! Ao mesmo tempo que é em mim, é bem longe de mim, bem fora de mim que a sofisma guardada com rancor por tanto tempo me atinge.
Vou tentar elucidar o que ocorre, de uma vez por todas:
- Sim, eu estou namorando, com direito a passeios dominicais em shoppings, cinemas e apresentação para progenitora.
Tratando da tal apresentação para a mãe, um adendo: felizes como pinto no lixo, por verem o Colosso de Rhodes vilabeliano entrar em casa com a namorada a tira-colo, alguns amigos abusaram das brincadeiras e deixaram a Mariana, a.k.a. minha namorada, um tanto quanto surpresa pela receptividade de gente que ela não conhecia.
Além de criativos, vocês são mais engraçados que o Bozo.
Fico orgulhoso, mas espero em Deus que isso não se repita.
De qualquer forma, eu espero ter respondido as questões implícitas que foram levantadas.

Quanto as questões explícitas:
Josa:
- Já, já e já. Obrigado. Eu não escrevi em lugar nenhum que o meu sumiço era devido à minha neurose de nômade profissional, só contei uma novidade, tentei enrolar, é verdade, mas é quase impossível fazer isso com você.
Pri:
- “Eu, robô” foi o filme assistido.

Agora, alguém pode me explicar o porquê de tanto espanto????


Para atualizá-los em outras áreas:
Discos: Amorica (Black Crowes), IV (Seal), Maxwell´s Urban Hang Suite (Maxwell), Blue Valentine (Tom Waits).

Livro: Os Prazeres e Os Dias (Proust)

Filme: Magnólia (Paul Thomas Anderson) – eu sei o porquê da chuva de... ah, o Márcio ainda não assistiu. Êxodo 8:2.

Monday, August 23, 2004

Série: Troca de kit-senzalão

Por motivo de força maior, eu não pude postar algo decente neste blog ignóbil durante algumas semanas, porém, o meu aclamado retorno traz boas notícias (pasmem):

- TROQUEI DE SENZALA! (Aplausos)

Digo, ainda não troquei efetivamente, faltam alguns detalhes, mas posso garantir que em uma semana vou deixar aquele ambiente de trabalho cheio de colegas inteligentes, cultos, educados, simpáticos e nada fúteis.
Já estou começando a sentir falta daquelas criaturas saídas de algum conto do Lovecraft...

Enquanto isso, o "Blues", compilação de canções apaixonadas e interpretações magistrais do Sr James Marshall Hendrix (Deus é canhoto), dá o tom da minha despedida, em especial a trilha sonora das minhas intermináveis esperas por trens na estação São Caetano.

Hear My Train A Comin'

Well, I wait around the train station
Waitin' for that train
Waitin' for the train, yeah
Take me home, yeah
From this lonesome place
Well, now a while lotta people put me down a lotta changes
My girl had called me a disgrace

DigThe tears burnin'
Tears burnin' me
Tears burnin' me
Way down in my heart
Well, you know it's too bad, little girl,
it's too bad
Too bad we have to part (have to part)

DigGonna leave this town, yeah
Gonna leave this town
Gonna make a whole lotta money
Gonna be big, yeah
Gonna be big, yeah
I'm gonna buy this town
I'm gonna buy this town
An' put it all in my shoe
Might even give a piece to you

That's what I'm gonna do,
what I'm gonna do,what I'm gonna do

Brisando em SCS Posted by Hello

Saturday, August 07, 2004

Enquanto isso...

Esbarrando nos discos capazes de tornar um fim de semana mais agradável (notem, MAIS agradável, pois a sensação de se distanciar da senzala já é suficientemente agradável), acabei topando com um disco que deverá voltar para as mãos do verdadeiro dono antes que eu perca alguma parte do meu corpo.

Dummy, do Portishead, é o tal disco.

O trip hop praticado nesse petardo é de primeira, o desespero cool que Beth Gibbons posta em sua voz é talvez uma das coisas mais catárticas e hipnotizantes que se tem notícia.

Da abertura (Mysterons) ao encerramento orgasmático com "Glory Box" (sampleada de Isaac Hayes), o clima soturno do disco seduz, as nuances, loops e guitarras são capazes de deixar absorto o ouvido mais sensível.

Recomendado para se ouvir sozinho, a dois, com amigos numa noite de sábado, para dançar, para fazer amor.

Só não se recomenda não ouvir.

Beth Gibbons (Eu vou devolver, Josa) Posted by Hello

Eu achei o Hymns, "brigado Pai"!!! Posted by Hello

Tuesday, August 03, 2004

Disco da semana: Talking Book (Stevie Wonder)

Maybe your baby done made some other plans
Posted by Hello

Série: Os junkies também amam

Scott Weiland, atual vocalista do Velvet Revolver e ex-líder de uma das bandas mais legais dos anos 90, Stone Temple Pilots, pode complicar a ascensão da sua nova banda por conta de seu maior amor: a heroína, é claro.

Parece que um dos autores de "Plush" teve sua prisão decretada e pode passar um bom tempo atrás das grades.

Agora, vocês podem imaginar esse junkie que nós aprendemos a amar, com o violão em punho e uma caneca de chá com mel igual a que foi usada no acústico do STP cantando Creep copiosamente e trajando um estiloso uniforme laranja?

Creep

Forward yesterday
Makes me wanna stay
What they said was real
Makes me wanna steal
Livin' under house
Guess I'm livin', I'm a mouse
All's I gots is time
Got no meaning, just a rhyme

Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal
Take time with a wounded hand
'Cause I like to steal
Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal, I like to steal

I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
Well, I'm half the man I used to be,
half the man I used to be

Feelin' uninspired
Think I'll start a fire
Everybody run
Bobby's got a gun
Think you're kinda neat
Then she tells me
I'm a creep
Friends don't mean a thing
Guess I'll leave it up to me

Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal
Take time with a wounded hand
Guess I like to steal
Take time with a wounded hand
'Cause it likes to heal, I like to steal

I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
I'm half the man I used to be
Because I feel as the dawn
It fades to gray
I'm half the man I used to be, half the man I used to be


De novo, negão??? Posted by Hello

Série: Eu era escroque e não sabia

O vício de escrever pode ter consequências desastrosas, como você ler umas coisa que escreveu há meses e se pegar pensando em como pode ter escrito algo tão imbecil.

É bem parecido com o sentimento que o nosso amado ROSKA tem ao acordar com uma infeliz que cruza seu caminho em alguma balada piritubana.

Para provar com veemência o que acabei de escrever, vou republicar algo que alguns de vocês devem se lembrar. Na verdade isso é uma indireta para o Rafa, que me prometeu uma resenha do "Código Da Vinci" e não mandou ainda. Babaca.



Dicas para se tornar um escritor/ intelectual:

Graças ao Rafa, que aliciou a Vovó Mafalda quando era criança, nós fomos condenados a prestar serviços à comunidade. Não conseguimos pensar em nada útil, mas tivemos uma idéia:
Por que não ensinar os nossos amigos leitores a se tornarem verdadeiros escritores/intelectuais?

Sim, estes seres nobres, cheios de idéias bacanas e um arsenal invejável de vícios gramaticais (gerundismo é mato). Pesquisamos 9999 blogs alheios, colhemos as virtudes e apresentamos de forma didática.
Se alguém não entender, é só levantar a mão.

- Personalidade: Para começo de assunto, a personalidade é algo primordial para o sucesso. Você não acha que é, você é! Seja engajado, pacífico, cínico, engraçado, você escolhe uma personalidade como sua assinatura, sua marca registrada.

- Requinte: Todo cuidado com palavras é pouco. Palavras difíceis ajudam bastante. Se você não sabe nenhuma, pegue um dicionário escondido e escolha as palavras no bom e velho “minha mãe mandou”. Ao invés de escrever “meus posts não são cheios de palavras difíceis para impressionar” use “meus textos não são construídos de forma rebuscada, requintada. Sou simples como uma manhã de primavera”. Genial, né? Isso nos leva a outro item;

- Expressões: Yeah, são importantíssimas. Você não é um simples imbecil que escreve e manda sua mãe ler, você tem um blog!!! Aproveite a chance de soar messiânico, com pérolas do tipo: “alvorecer enriquecedor”, “sofrimento tenaz”, “rosto da noite”, “brisa de minha harmonia dominical”. Na verdade, nem precisa fazer muito sentido, todo mundo vai achar lindo.

- Método Paulo Coelho de impacto e impressão: muito simples, consiste basicamente em escrever, escrever, florear com as expressões ensinadas no item anterior e acabar não dizendo absolutamente nada. Tipo resenha de banda pop romena, sabe?

- Veia política: Você pode aproveitar seu espaço para falar mal dos políticos que VOCÊ elegeu e discutir os problemas da periferia sem nunca ter pisado lá. É só comprar um disco dos Racionais MC´s e copiar umas palavras que o Mano Brown fala.

- Humildade: Não aceite elogios, intelectuais sabem que são intelectuais e não precisam ser lembrados. Na verdade você finge ser modesto, assim como finge ter talento. Se alguém te chamar de escritor, poeta, diga: “Não sou poeta, somente deixo as palavras me levarem”. Ah, não se esqueça da cara de conteúdo ao terminar a frase (mesmo que ninguém te veja proferi-la).

- Verve Nonsense: What? Magamalabares aquamarã, um parquinho oxaiê. Você entendeu alguma coisa? Nem nós, mas é legal, porque parece que você tem uma relação toda especial com as palavras. Você não precisa ser entendido, as pessoas é que precisam te entender.

- Zé Povinho enrustido: Quando estiver falando da vida alheia, certifique-se que está sendo completamente parcial e injusto, pois se a pessoa quiser se defender, que crie seu próprio blog. É o tipo da atitude “dono da bola nunca é goleiro”.

- Cultura: Seja profundamente cultual. Se for cultura musical, por exemplo, você pode elaborar a sua lista com os melhores discos da história. Para mostrar ao mundo sua superioridade, na sua lista você não pode deixar de incluir um gênio concretista (você não sabe o que é? Nem nós, deve ser um primo do Gênio do Alladin que habita um muro de concreto), um artista de vanguarda incompreendido e alguém que ninguém, nem você, conheça. Neste último caso, você pode entrar no Google, ir ao campo de pesquisa e digitar: “bandas/ artistas de Santana do Sorococó”

- Leitura alternativa: Leitor de gibi é intelectual descolado. Mas para mostrar ecletismo, diga que gosta tanto de Goethe quanto das Aventuras do Ursino Pimpão.

Bem, deve ser isso, esperamos que você, amigo leitor, se torne um pseudo-intelectual pior após estas lições.

Ah é, o Rafa está sendo processado por defender fervorosamente a banda do Dr Lair Ribeiro (Incubus), e provavelmente vamos ter quer prestar mais alguns serviços.

Monday, August 02, 2004

Inércia (por Márcio Corso)

Márcio-San (Pequeno Gafanhoto, primeiro pintar cerca, depois caratê) é o “pai” da turma, engenheiro nas horas vagas, audiófilo, fã de Dream Theater, Police, Kubrick, Lovecraft e Veríssimo, espancador oficial do Leandro, companheiro de baladas felizes e furadas deste digitador, membro vitalício da Old House e Pueri Dommus Jazz Club Band, baixista e guitarrista, poliglota (ele fala português, inglês, élfico e entês - língua do seu ídolo Barbárvore) e um ser dotado de imenso coração.

Ele também gosta de atropelar pessoas, mas essa é outra história.

Como se não bastassem todas essas características e atividades que deixariam qualquer um maluco, o Márcio ainda escreve. E escreve muito bem, carregando seus textos, ensaios, crônicas e afins com aquela ironia fina e inteligente, herdada do seu mentor Alex DeLarge.

Mas eu sou suspeito para analisar, tirem as suas próprias conclusões.




INÉRCIA

Segundo a primeira Lei de Newton, (sou fã deste cara, ele ficou famoso por ser agredido por uma maçã), “um ponto material livre da ação de forças ou está em repouso ou em movimento retilíneo e uniforme”.

“Que conversa de doido é essa?” Para quem matou as aulas de física, isso significa que qualquer coisa na natureza tende a ficar parado ou acomodado na mesma situação pela eternidade se não existir uma força externa. Este “qualquer coisa na natureza” quer dizer tudo inclusive nós. Não é verdade? Quando você chega no seu trabalho de manhã – não diga que é mentira, todo mundo faz isso – você liga seu computador e já vai para a Internet. Se não for pela ação de uma força externa, em outras palavras “chefe”, você vai começar o seu trabalho por conta própria? Pense bem na sua resposta, pretendo escrever um ensaio sobre o cinismo em breve e ela pode servir de exemplo...

Nos acomodamos com as facilidades ao nosso redor, nos afogamos nos nossos trabalhos e nos nossos relacionamentos problemáticos e não temos vontade de mudar isso. Nos mantemos em nossos empregos por medo de não arrumar outro melhor ou de simplesmente não arrumar outro e ponto final. Continuamos com a mesma namorada porque já conhecemos a sogra, o sogro, o cachorro e o almoço de domingo na casa de todos eles. E daí que as coisas não estão bem? Se tentarmos mudar, tudo pode piorar, certo?... Realmente, não posso dizer que nada seja tão ruim que não possa ser piorado, mas se não tentarmos, quando as coisas vão melhorar?

Agora estamos no ponto certo para entender a aplicação da força externa, que, nos exemplos acima, pode ser interpretada novamente como “chefe” ou, no segundo exemplo, como “chifres”. Já passou por aquela situação na qual tudo que você quer é encontrar sua namorada com outro cara, às 6 horas da manhã, quando você varou a noite trabalhando só para ter um motivo? Descobrir que ela literalmente fugiu para a balada com o Ricardão enquanto você estava ocupado? Isso que é força externa! Se depois dessa o cara não se mexe é porque está morto.

A inércia chega a nos excluir do convívio com outros seres humanos. Vivemos em uma época na qual algumas pessoas preferem a companhia da televisão, porque não podem perder o capítulo de hoje da novela, ou não podem deixar de ver o jogo do IV de Julho de Piri-piri ou, no caso deste que vos fala, teria pesadelos abissais se perdesse um episódio de 24 Horas. Mas a televisão é chata, queremos interatividade, existe outra espécie de pessoa que tem 402 amigos no Orkut, conhece a vida de todos pela rede, mas não teria a capacidade de manter a amizade com nenhuma destas pessoas ao vivo. Não é mentira, conheço casos reais de pessoas que podem adorar sua figura virtual e poderiam conversar com você pelo Messenger por horas, mas não têm o mínimo interesse em conversar com pessoas “de verdade” e se decepcionam quando descobrem que você é de carne e osso como elas. Bem vindo ao mundo dos relacionamentos virtuais.

Bom mesmo era quando o caboclo largava a enxada quando a noite chegava, colocava a melhor roupa e ia para a praça. O cidadão dava voltas e voltas até trombar com aquela “moça bunita dimais da conta” e eles se conheciam sem precisar de banda larga... Tudo bem, não precisamos ir tão longe, vamos apenas fazer um trato: movimente-se, saia de casa e veja seus amigos, já é um bom começo.